O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) em Mato Grosso opera com uma série de irregularidades estruturais e operacionais que podem comprometer o atendimento à população e até gerar sanções financeiras ao Estado. A constatação está em relatório técnico apresentado pelo Ministério da Saúde após vistorias realizadas em unidades e centrais de regulação no estado.
Segundo o documento, foram identificadas bases sem funcionamento pleno, déficit de profissionais, motolâncias paradas, problemas físicos nas instalações e falhas na integração dos sistemas de atendimento. Em alguns casos, unidades habilitadas pelo governo federal não operavam 24 horas por falta de equipes, reduzindo a capacidade de resposta em situações de urgência e emergência.
Central de Regulação sob críticas
Um dos principais pontos levantados pela equipe técnica foi a situação da Central de Regulação do serviço, instalada dentro do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP). O Ministério da Saúde avaliou que o espaço é incompatível com a natureza assistencial do SAMU e pode comprometer o sigilo de informações clínicas dos pacientes.
Além disso, as chamadas recebidas pelos números 192 e 193 não estariam plenamente integradas, o que pode provocar duplicidade de ocorrências e deslocamento simultâneo de equipes para o mesmo caso, desperdiçando recursos e atrasando atendimentos reais.
Motolâncias paradas e veículos sucateados
O relatório também registrou que motos de atendimento rápido estavam inoperantes desde março por falta de profissionais. Em outra base, houve apontamento de veículos sucateados no pátio, aguardando definição administrativa para descarte ou substituição.
Estado pode perder recursos federais
O alerta mais grave feito pelo Ministério da Saúde envolve a possibilidade de penalidades caso as inconformidades não sejam corrigidas. Entre as medidas possíveis estão:
- suspensão de repasses federais;
- exigência de devolução de recursos usados irregularmente;
- restrição para novos investimentos;
- bloqueio de novas habilitações no serviço.
O governo federal informou, no entanto, que neste momento a postura é de cooperação técnica, buscando adequação do serviço antes de sanções mais duras.
Cobertura abaixo da média nacional
Dados apresentados pelo próprio Ministério mostram que Mato Grosso atende cerca de 58% da população com cobertura do SAMU, abaixo da média nacional estimada em 88%. A meta federal é ampliar esse índice para 100%.
Governo sinaliza diálogo
Após a divulgação do relatório, o governador, Otaviano Pivetta, afirmou que pode rever medidas recentes no serviço, incluindo cortes e demissões, além de abrir diálogo com trabalhadores e representantes da área da saúde.
População sente impacto direto
Especialistas em gestão pública destacam que qualquer falha no SAMU tem efeito imediato sobre a população, pois o serviço atua justamente nos momentos mais críticos: acidentes, AVC, infartos, traumas graves e remoções emergenciais. Menos bases ativas e menos equipes significam maior tempo de espera e risco ampliado ao paciente.
Conclusão
O relatório do Ministério da Saúde confirma uma crise operacional no SAMU de Mato Grosso. Mais do que um problema administrativo, trata-se de uma situação que pode afetar vidas diariamente. A expectativa agora é pelas medidas concretas de reestruturação para evitar colapso no serviço e garantir atendimento rápido à população.
Da Redação.
































