Decisão da Vara de Ações Coletivas de Cuiabá anulou dispositivo que proibia servidores de opinarem sobre temas internos do governo e reacendeu debate sobre liberdade de expressão dentro do funcionalismo estadual.
A Justiça de Mato Grosso anulou parte da Resolução nº 07/2024 do Conselho de Ética Pública do Poder Executivo Estadual (CONSEP-MT) e impôs uma derrota jurídica ao governo estadual após reconhecer excesso em regras que restringiam manifestações de servidores públicos nas redes sociais e em ambientes virtuais. Além disso, a decisão classificou o dispositivo como uma espécie de “mordaça administrativa”, ampliando o debate sobre liberdade de expressão dentro da administração pública estadual.
A decisão partiu da juíza Celia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, após ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). O sindicato acusou o governo de impor censura prévia aos servidores estaduais por meio da resolução editada pelo CONSEP-MT.
📱 Regra proibia opinião sobre temas ainda em análise
O ponto central da polêmica envolvia o §2º do artigo 6º da resolução. O texto proibia servidores públicos de “opinar publicamente” sobre assuntos institucionais ainda pendentes de decisão administrativa ou análise de órgãos colegiados.
Entretanto, para a magistrada, a norma extrapolou claramente os limites do poder regulamentar do Estado. Além disso, a juíza entendeu que a regra criou uma limitação genérica, ampla e desproporcional ao direito constitucional de livre manifestação do pensamento.
Na decisão, Vidotti destacou que o servidor público não perde sua condição de cidadão apenas por exercer função estatal. Consequentemente, o Estado não pode impedir manifestações críticas sobre políticas públicas, decisões administrativas ou temas institucionais de interesse coletivo.
⚖️ Justiça manteve parte das regras éticas
Apesar da derrota do governo, a Justiça não derrubou toda a resolução. A magistrada manteve válidos os artigos que orientam servidores a:
- manter conduta respeitosa nas redes sociais;
- evitar discursos de ódio;
- preservar sigilo funcional;
- não atacar instituições ou colegas de trabalho.
Segundo a juíza, esses dispositivos apenas reforçam deveres já previstos no Estatuto do Servidor e no Código de Ética do funcionalismo público. Portanto, a decisão não libera ataques pessoais, divulgação de informações sigilosas ou condutas abusivas.
Ainda assim, o trecho que impedia opiniões sobre assuntos em discussão interna acabou declarado nulo justamente por criar barreira considerada incompatível com a Constituição Federal.
🗣️ Debate sobre censura ganhou força entre servidores
A resolução editada pelo CONSEP-MT já provocava forte reação desde 2024. Na época, sindicatos, professores e representantes do funcionalismo afirmaram que o governo tentava controlar manifestações críticas de servidores em redes sociais.
Além disso, entidades sindicais alegaram que o texto gerava insegurança jurídica e medo entre trabalhadores públicos, especialmente em áreas como:
- educação;
- saúde;
- segurança pública;
- administração direta.
Consequentemente, muitos servidores passaram a evitar comentários públicos sobre problemas estruturais do Estado com receio de punições administrativas.
🚨 Decisão reacende discussão sobre liberdade de expressão no serviço público
A decisão judicial agora amplia um debate nacional sobre os limites entre ética funcional e liberdade de expressão de agentes públicos.
Especialistas em Direito Administrativo lembram que servidores possuem deveres funcionais relacionados ao sigilo, urbanidade e respeito institucional. Entretanto, também mantêm direitos fundamentais garantidos pela Constituição, incluindo:
- liberdade de opinião;
- participação no debate público;
- crítica administrativa;
- manifestação política pessoal fora do exercício do cargo.
Além disso, juristas alertam que governos não podem criar restrições genéricas sem previsão legal aprovada pelo Poder Legislativo.
🏛️ Governo ainda pode recorrer
Embora a decisão represente revés importante ao governo estadual, o processo ainda pode avançar para instâncias superiores. Como a sentença envolve o Estado de Mato Grosso, o caso seguirá obrigatoriamente para reexame no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Além disso, o governo poderá apresentar recursos para tentar restabelecer integralmente a resolução.
Enquanto isso, sindicatos e representantes do funcionalismo comemoram a decisão como vitória contra tentativas de silenciamento institucional.
🔥 Caso amplia desgaste político do governo
A derrota judicial ocorre em meio ao aumento das tensões entre servidores públicos e o governo estadual. Nos últimos meses, categorias do funcionalismo intensificaram críticas relacionadas a:
- direitos trabalhistas;
- consignados;
- reajustes salariais;
- condições de trabalho;
- perseguição administrativa;
- liberdade sindical.
Consequentemente, a anulação parcial da resolução fortaleceu o discurso de que o governo teria avançado além dos limites constitucionais ao tentar controlar manifestações públicas de trabalhadores estaduais.
Agora, a principal pergunta que domina os bastidores políticos e jurídicos de Mato Grosso é direta:
👉 o Estado buscava apenas preservar a ética no serviço público ou tentava limitar críticas e controlar a voz dos próprios servidores?
Da Redação.

























