Parecer da Sefaz-MT aponta possível ilegalidade em contratação de 150 bacharéis e amplia tensão dentro do governo

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Documento técnico identifica risco de violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, aumento de despesas sem previsão completa e possível conflito com regras eleitorais em processo seletivo do Estado.

A Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT) emitiu parecer técnico que aponta irregularidades na proposta de contratação temporária de 150 bacharéis em Direito para atuação em diversos órgãos do Poder Executivo estadual. Além disso, o documento concluiu que a medida pode violar diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ao criar despesas que ultrapassariam o mandato do atual chefe do Executivo estadual.

O parecer interno aumentou a pressão sobre o governo Otaviano Pivetta e abriu um novo debate sobre responsabilidade fiscal, planejamento orçamentário e possíveis impactos eleitorais envolvendo contratações públicas em ano pré-eleitoral.

⚖️ Sefaz aponta afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal

Segundo a Nota Técnica nº 0092/2026, obtida pela imprensa, a proposta “se encontra em desacordo com a vedação disposta pelo artigo 21 da LRF”, justamente porque prevê despesas que avançam para períodos posteriores ao encerramento do atual mandato do governador.

Além disso, técnicos da Fazenda destacaram que parte das despesas decorrentes do processo seletivo não possui cobertura integral prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Consequentemente, o parecer afirmou existir incompatibilidade com metas fiscais atualmente vigentes.

O documento ainda alertou que o eventual aumento de pessoal afasta a tese inicialmente apresentada pelo governo de que haveria “neutralidade orçamentária” nas contratações.

📉 Órgãos estaduais não teriam verba suficiente

A análise técnica da Sefaz também identificou insuficiência orçamentária em algumas pastas do governo estadual.

Segundo o parecer:

  • Setasc (Assistência Social);
  • PGE (Procuradoria-Geral do Estado);
  • Seciteci (Ciência e Tecnologia);
  • Secel (Cultura, Esporte e Lazer);
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não apresentariam dotação suficiente para absorver integralmente os gastos previstos com os novos contratos temporários.

Além disso, o documento afirma que parte das despesas exigiria ajustes financeiros e remanejamentos orçamentários futuros para evitar desequilíbrio fiscal dentro da máquina pública estadual.

🗳️ Parecer também levanta alerta eleitoral

Ao mesmo tempo, a Sefaz citou a legislação eleitoral ao analisar o cronograma do processo seletivo.

O documento lembrou que, a partir de julho de 2026, a legislação restringe contratações de pessoal na circunscrição do pleito eleitoral. Dessa forma, técnicos alertaram para necessidade de adequação do cronograma às regras previstas na Lei nº 9.504/1997.

Consequentemente, o caso passou a envolver não apenas discussão fiscal, mas também possível risco jurídico-eleitoral caso o governo avance nas contratações em período vedado pela legislação.

🏛️ Governo rebate parecer e tenta minimizar crise

Em resposta oficial, o governo estadual negou irregularidades e afirmou que o processo seletivo prevê apenas formação de cadastro reserva, sem obrigação imediata de contratação.

Além disso, a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) argumentou que:

  • não existe afronta à LRF;
  • o Estado possui capacidade financeira;
  • futuras admissões dependerão de necessidade administrativa;
  • a legislação eleitoral será respeitada.

Segundo o Executivo, eventual contratação efetiva somente ocorreria dentro dos limites permitidos pela legislação fiscal e eleitoral.

Entretanto, o próprio parecer da Sefaz desmonta parte dessa narrativa ao afirmar que existe previsão de ampliação real de pessoal em alguns órgãos públicos estaduais.

🚨 Caso expõe divisão interna dentro do próprio governo

O episódio também revelou um fator politicamente delicado: divergências técnicas dentro da própria estrutura administrativa do governo estadual.

Enquanto a Seplag sustenta viabilidade jurídica e financeira da medida, a Sefaz apresentou manifestação apontando:

  • risco fiscal;
  • inconsistência orçamentária;
  • possível aumento irregular de despesa;
  • necessidade de compatibilização com metas fiscais.
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Consequentemente, o caso ampliou questionamentos sobre coordenação interna, planejamento financeiro e controle de gastos no Executivo estadual.

📚 Especialistas lembram limites da contratação temporária

Juristas e especialistas em administração pública lembram que a Constituição Federal permite contratação temporária apenas em situações excepcionais e de interesse público específico.

Além disso, tribunais de contas e órgãos de controle costumam exigir:

  • justificativa técnica concreta;
  • excepcionalidade comprovada;
  • previsão orçamentária adequada;
  • respeito aos limites fiscais;
  • ausência de uso político-eleitoral.

Consequentemente, qualquer expansão temporária de pessoal em ano pré-eleitoral passa a receber atenção redobrada de órgãos de fiscalização.

💬 Debate agora ultrapassa a área jurídica

Embora o governo tente tratar o caso como questão administrativa, o episódio já produz repercussão política relevante nos bastidores estaduais.

Críticos afirmam que o Executivo tenta ampliar estrutura administrativa mesmo diante de alertas fiscais emitidos pela própria equipe técnica da Fazenda estadual.

Além disso, opositores passaram a questionar:

  • transparência do processo seletivo;
  • impacto financeiro futuro;
  • necessidade real das contratações;
  • possível uso político da medida.

Enquanto isso, servidores e entidades ligadas ao funcionalismo acompanham o caso com atenção diante do impacto potencial sobre orçamento e limites da máquina pública.

🔥 Governo agora enfrenta pressão por explicações

Por fim, o parecer técnico da Sefaz colocou o governo em posição desconfortável justamente porque o alerta partiu de dentro da própria administração estadual.

Agora, a principal pergunta que cresce nos bastidores políticos e jurídicos de Mato Grosso é direta:

👉 o governo realmente possui respaldo fiscal e legal para avançar nas contratações ou a proposta representa mais um risco administrativo às vésperas do período eleitoral?

Da Redação.

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