Pré-encontro de mulheres quilombolas do Marajó destaca enfrentamento à violência e fortalece acesso ao Ligue 180

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Nos dias 25 e 26 de abril, o Quilombo do Tartarugueiro, localizado no município de Ponta de Pedras (PA), no arquipélago do Marajó, sediou o pré-encontro de mulheres quilombolas da região. Promovido pela organização Malungu, o evento reuniu 163 lideranças de diferentes territórios quilombolas marajoaras e contou com o apoio do projeto “Empoderamento das Mulheres como Agentes-Chave para uma Transformação Ecológica e Socialmente Justa na Amazônia”, implementado pelo Ministério das Mulheres, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). 

Ao longo dos dois dias, o encontro promoveu uma escuta ativa sobre os principais anseios e necessidades das mulheres quilombolas em suas comunidades. A programação incluiu manifestações culturais e rodas de conversa, nas quais as participantes compartilharam vivências, desafios e prioridades de seus territórios, com destaque para o enfrentamento à violência contra as mulheres.

Ver de perto a vida em comunidade e perceber que muitas políticas públicas chegam, mas nem sempre são reconhecidas como ações do Governo Federal, mostra o quanto ainda precisamos avançar na comunicação e no acesso à informação”
Nery Araújo, Coordenadora do Ligue 180

A atividade contou com a participação de representantes do Ministério das Mulheres, da coordenadora de atendimento do Ligue 180, Nery Araújo, e da pesquisadora em gênero da Fiocruz, Flávia Leite, que presta serviços à Secretaria Executiva do Ministério das Mulheres. 

Durante o encontro, foram apresentadas ações do governo federal, voltadas especialmente às mulheres quilombolas, além da distribuição de materiais informativos do Ministério das Mulheres sobre a Lei Maria da Penha, como se proteger da violência sexual e sobre os canais de atendimento.

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Para Flávia Leite, a experiência no território reforça a importância da escuta ativa e da presença do Estado junto às comunidades.
“Testemunhei a potência da sociedade-aldeia, onde a resiliência das mulheres quilombolas e a participação ativa das crianças ensinam que o futuro se constrói no coletivo. Estar no território para ouvir as demandas locais reafirma o compromisso do Governo Lula de levar políticas públicas até onde a vida acontece”, disse.

Durante o encontro, foram realizadas dinâmicas de escuta ativa com todas as participantes, que compartilharam suas trajetórias e memórias. O diálogo também abordou a organização dos espaços coletivos das mulheres em seus territórios, os principais desafios enfrentados e as políticas públicas consideradas prioritárias para o enfrentamento das desigualdades.

Nessa escuta, as mulheres manifestaram o desejo de compreender, com maior profundidade, os diferentes tipos de violência de gênero e raça. Também ficou evidente a importância atribuída à saúde integral — física e mental — como condição essencial para que continuem ocupando espaços de poder e liderança em suas comunidades, ampliando o acesso à informação e aos mecanismos de proteção.

Para a coordenadora do Ligue 180, Nery Araújo, a participação no encontro teve um significado profundo, “Enquanto mulher preta, é muito emocionante pisar em um território quilombola marajoara. Ver de perto a vida em comunidade e perceber que muitas políticas públicas chegam, mas nem sempre são reconhecidas como ações do Governo Federal, mostra o quanto ainda precisamos avançar na comunicação e no acesso à informação”, destacou.

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Da violência ao acesso à justiça: o papel do Ligue 180

Após sofrer violência por parte de um vizinho em seu território, uma mulher quilombola e profissional de saúde marajoara buscou apoio institucional, mas encontrou resistência inicial na delegacia local. O atendimento foi marcado por uma interpretação equivocada e restritiva da Lei Maria da Penha, que resultou na negativa do pedido de medida protetiva ao Judiciário. Diante desse cenário, ela recorreu ao Ligue 180, que atuou de forma decisiva ao mobilizar a rede estadual de proteção. A intervenção garantiu a concessão da medida protetiva e o afastamento do agressor, assegurando o acesso efetivo à justiça.

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O episódio evidencia a importância do Ligue 180 como um serviço essencial de acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias de violência contra a mulher. Gratuito, disponível em todo o país e em funcionamento 24 horas por dia, o canal se consolida como porta de entrada para a rede de proteção, articulando serviços estaduais e municipais.

Desde 2024, já foram registradas 310 denúncias oriundas de comunidades quilombolas e 292 protocolos de atendimento, reforçando sua relevância especialmente em territórios tradicionais e contextos de maior vulnerabilidade.

Construção de propostas e prioridades 

No segundo dia do evento, as participantes construíram coletivamente propostas para o encontro estadual. Entre as prioridades apontadas estão o enfrentamento à violência contra as mulheres, a realização de  oficinas sobre o funcionamento do Ligue 180 e ações voltadas à promoção da saúde integral das mulheres.

O pré-encontro evidenciou a relevância do Ligue 180 e de espaços de escuta e articulação entre mulheres quilombolas e o Ministério das Mulheres, fortalecendo a construção de políticas públicas mais efetivas e alinhadas às realidades locais.

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Fonte: Ministério das Mulheres

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